O ano de 2026 está sendo um grande marco na minha carreira e, consequentemente, na UEEK.
Sempre que estudei grandes empresas nacionais e internacionais, como Google, Amazon e Mercado Livre, eu notava um padrão muito forte: a organização da esteira de engenharia de software. Milhares de deploys por dia, milhões de deploys por mês. Baixa taxa de bugs críticos, ótima usabilidade, alta satisfação. Toda a esteira era coberta por métricas de acompanhamento com réguas muito bem definidas sobre o que era qualidade. Testes de regressão existem em cada pequena feature despachada, evitando a quebra em módulos estáveis em novas features. Documentações claríssimas sobre o que precisava ser feito, devs com ouro na mão e estrutura para construir tudo o que vemos no dia a dia dessas empresas.
Porém, a realidade de uma empresa que não tem centenas ou milhares de engenheiros é (ou era) bem diferente. Quando você tem um time de 3 pessoas para tocar diversos projetos simultâneos com um prazo satisfatório para o cliente, você precisa fazer o balanço entre velocidade e qualidade.
Meu braço direito na UEEK, o Luck, sempre fala que "a pressa é inimiga da perfeição", e nós dois vimos esse ditado criar vida (e problemas) algumas vezes.
Os desafios difíceis de cumprir
Como convencer um dev a não codar 2, 3 features novas e focar em testes automatizados?
Como você arranja tempo para planejar uma estrutura de CI/CD, Cloud e eficiência quando o seu foco é codar?
Como estabelecer metodologias de story points e milestones quando você precisa codar 2 ou 3 CRUDs para cumprir uma entrega?
Como arranjar tempo para criar documentos e indicadores que definem exatamente o que é qualidade? O que marca uma tarefa como "pronta"? O que avaliamos em cada handoff?
Como estruturar uma esteira de acompanhamento com o cliente para captar NPS?
Como fazer entregas contínuas quando o seu prazo te possibilita fazer uma única entrega com 10 módulos?
Era impossível fazer e planejar tudo isso sabendo que essas práticas comprometeriam o prazo de entrega. Até criamos um setor de requisitos para tentar ao menos profissionalizar nossa esteira com engenharia de software, mas também esbarramos em limitações técnicas atreladas ao processo.
PRD sem base técnica não ajuda muito na era da IA.
Um saco, né? A sensação que eu tinha era de que nunca conseguiríamos resolver essas lacunas se não expandíssemos os times para trabalhar em coisas fora do código.
O que mudou em 2026
Porém, em 2026 tudo isso está sendo possível, e eu agradeço muito à IA por isso.
A UEEK é uma empresa que não possui apego a processos, metodologias ou documentos. Se precisar mudar, mudaremos, e foi isso que manteve a UEEK de pé até hoje. Desde que a IA se tornou algo real, algo que agrega valor de verdade, meu objetivo era só um: como nossa esteira melhorará com tudo isso?
E melhorou. Muito. Desde que integramos IA aos processos e se tornou uma cultura de direcionamento, tivemos as mudanças:
- O setor de tecnologia absorveu o setor de requisitos e agora todos os PRDs são feitos com base técnica dentro do codebase do projeto
- O setor de requisitos virou um setor de CX que trará insumos de retenção e estratégias comerciais que expandirão nossas receitas
- O setor de desenvolvimento e QA estão mais integrados do que nunca com testes unitários, e2e, de integração e relacionados
- Projetos que demoravam 3 meses para serem concluídos são concluídos em 1 mês
- MVPs de produtos que antes precisavam ter a codificação feita do zero são feitos em 2 semanas sem conhecimento de programação. E aqui é onde vejo que nos diferenciamos: enquanto os gurus vendem que "a barreira do código morreu", a UEEK entende que para saber mandar precisa saber fazer, e isso nós sabemos. Com projetos-base estruturados, guidelines estabelecidas e PRD construído, nossos MVPs estão prontos para escala, sem lista de e-mails vazando por aí como os vibe-coders fazem em 2 dias.
- Adotamos a IaC como padrão em DevSecOps (até um setor de DevSecOps nasceu e se estabeleceu esse ano)
- Usamos MCP, conectores e ferramentas que aumentam nossa produtividade diariamente, como o Linear, Sentry, Notion e outros.
- Nosso QA agora tem como responsabilidade validar layout e regras de negócio, não mais testes manuais em CRUDs, pois isso já está coberto por testes automatizados.
- Migramos nossa esteira para o Linear, que provavelmente é o melhor gestor de projetos de software do mercado. Essa ferramenta está possibilitando a captura de métricas, uso de MCP eficiente e board eficiente para projetos.
- Documentação de ponta a ponta em projetos de software
- Onboarding de projetos externos com mais celeridade
Claro, há muitos desafios, principalmente relacionados a segurança, custos, praticidade e alucinação de IA que precisa ser controlada, mas o caminho é muito mais livre do que obstruído.
2026 vem sendo um ano de transformação, e pela primeira vez a UEEK sente que o que está planejado está atualizado com o mercado.
A ideia desse post não é ser mais um guru de IA, mas mostrar um caso real de como a IA está mudando absolutamente tudo na UEEK. E na sua empresa, como está?